A PRIMEIRA ABORDAGEM
Assim,
quando dona Estelita Reis, sogra e amiga – apesar dos maus tratos que ele
infligia à filha – lhe dirigiu a palavra, ao final da manhã, fingiu que
continuava dormindo, malgrado a dor de cabeça que o consumia. Mas dona Estelita
insistiu:
–
Magno, meu filho, você tem sido um péssimo marido para minha filha, que já fala
até em separação de vocês dois. E tudo isso por causa da bebedeira. Hoje eu vim
aqui só para lhe fazer uma pergunta; você quer, mesmo, parar de beber?
Acrabunhado,
tentando esconder seus ferimentos com o lençol, Magnos se interessou pela
pergunta. Afinal, estava atravessando mais uma severa ressaca física e moral.
Ao mesmo tempo em que lhe doíam os ferimentos e a cefaléia, também a
consciência dos sofrimentos causados à companheira Ariadne (esposa)
redobravam-lhe os tormentos; tinha certeza do mal que praticava, porém não
encontrava forças dentro de si, para combatê-lo. Afinal decidiu-se.
–
Eu quero sim, dona Estelita.
–
Pois olhe: Hoje, quando fui buscar a roupa suja no Hotel Central, o hospede do
303 estava falando de uma Irmandade que faz com que as pessoas parem de beber.
E ele também disse que está esperando por qualquer interessado, hoje à noite na
porta do hotel.
–
Então venha aqui, em casa, que eu vou com a senhora, respondeu Magno.
Pouco depois das sete
horas da noite, com um curativo que lhe descia o rosto, Magno chega à portaria
do Hotel Central acompanhado da mulher e da sogra. Solicitaram a presença do
ocupante do apartamento do 303, sentam-se a uma das mesas que eram colocadas na
calçada do hotel em frente à Praça Benedito Leite, e passaram alguns momentos
de expectativa quanto ao que o viajante tem a lhes propor.
De
costas para o hall, ele não percebe que um homem moreno, estatura abaixo da
média, gordote e careca, aparentando uns 40 anos, se aproxima sorridente,
cumprimentando primeiramente dona Estelita, que faz as devidas apresentações.
Sem demonstrar nenhuma surpresa ante os ferimentos de Magno, e dirigindo-se a
ele diz: - “Tenho muito prazer em lhe conhecer. Meu nome é Augusto Carvalho.
Mas, o que são estes ferimentos meu rapaz?” Confuso, tentando esconder a
verdadeira origem das lesões, Magno consegue dizer:
–
isto aconteceu ontem, lá em casa, quando eu tentava colocar um quadro na parede
e a escada quebrou, me lançando no chão...
–
Não precisa me dizer mais nada – atalhou o viajante – porque eu também já
utilizei estas mesmas desculpas e, no entanto, todos sabiam que estava
enganado.
Logo
em seguida, passou a falar sobre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos, suas
finalidades – a recuperação física e moral dos portadores da doença do
alcoolismo – e sua forma de funcionamento. Um momento histórico, posto que a
primeira – e muito bem sucedida – abordagem feita no Maranhão.
(Continua na próxima postagem)
REFLEXÃO DIÁRIA
11-01-2014
Somente o Primeiro Passo, onde admitimos inteiramente que somos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES
Muito antes de conseguir alcançar a sobriedade em A.A., eu sabia sem nenhuma dúvida, que o álcool estava me matando, mas, mesmo com esse conhecimento, fui incapaz de parar de beber. Assim, quando encarei o Primeiro Passo, foi fácil admitir que me faltava força para não beber. Mas que tinha perdido o domínio de minha vida? Nunca. Cinco meses após ter chegado em A.A. estava bebendo novamente e imaginando por quê?Mais tarde, de volta a A.A. e sentindo a dor de minhas feridas, aprendi que o Primeiro Passo é o único que pode ser praticado 100%. E que a única maneira para praticá-lo é aceitar esse Passo 100%. Desde então, já se passaram muitas 24 horas e não precisei praticar novamente o Primeiro Passo.
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