sábado, 11 de janeiro de 2014

A HISTÓRIA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO MARANHÃO - PARTE II

A PRIMEIRA ABORDAGEM

Assim, quando dona Estelita Reis, sogra e amiga – apesar dos maus tratos que ele infligia à filha – lhe dirigiu a palavra, ao final da manhã, fingiu que continuava dormindo, malgrado a dor de cabeça que o consumia. Mas dona Estelita insistiu:

– Magno, meu filho, você tem sido um péssimo marido para minha filha, que já fala até em separação de vocês dois. E tudo isso por causa da bebedeira. Hoje eu vim aqui só para lhe fazer uma pergunta; você quer, mesmo, parar de beber?

Acrabunhado, tentando esconder seus ferimentos com o lençol, Magnos se interessou pela pergunta. Afinal, estava atravessando mais uma severa ressaca física e moral. Ao mesmo tempo em que lhe doíam os ferimentos e a cefaléia, também a consciência dos sofrimentos causados à companheira Ariadne (esposa) redobravam-lhe os tormentos; tinha certeza do mal que praticava, porém não encontrava forças dentro de si, para combatê-lo. Afinal decidiu-se.

– Eu quero sim, dona Estelita.
– Pois olhe: Hoje, quando fui buscar a roupa suja no Hotel Central, o hospede do 303 estava falando de uma Irmandade que faz com que as pessoas parem de beber. E ele também disse que está esperando por qualquer interessado, hoje à noite na porta do hotel.

– Então venha aqui, em casa, que eu vou com a senhora, respondeu Magno.

           Pouco depois das sete horas da noite, com um curativo que lhe descia o rosto, Magno chega à portaria do Hotel Central acompanhado da mulher e da sogra. Solicitaram a presença do ocupante do apartamento do 303, sentam-se a uma das mesas que eram colocadas na calçada do hotel em frente à Praça Benedito Leite, e passaram alguns momentos de expectativa quanto ao que o viajante tem a lhes propor.

De costas para o hall, ele não percebe que um homem moreno, estatura abaixo da média, gordote e careca, aparentando uns 40 anos, se aproxima sorridente, cumprimentando primeiramente dona Estelita, que faz as devidas apresentações. Sem demonstrar nenhuma surpresa ante os ferimentos de Magno, e dirigindo-se a ele diz: - “Tenho muito prazer em lhe conhecer. Meu nome é Augusto Carvalho. Mas, o que são estes ferimentos meu rapaz?” Confuso, tentando esconder a verdadeira origem das lesões, Magno consegue dizer:

– isto aconteceu ontem, lá em casa, quando eu tentava colocar um quadro na parede e a escada quebrou, me lançando no chão...
            – Não precisa me dizer mais nada – atalhou o viajante – porque eu também já utilizei estas mesmas desculpas e, no entanto, todos sabiam que estava enganado.


Logo em seguida, passou a falar sobre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos, suas finalidades – a recuperação física e moral dos portadores da doença do alcoolismo – e sua forma de funcionamento. Um momento histórico, posto que a primeira – e muito bem sucedida – abordagem feita no Maranhão.

                                 (Continua na próxima postagem)

REFLEXÃO DIÁRIA

11-01-2014
Somente o Primeiro Passo, onde admitimos inteiramente que somos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES
Muito antes de conseguir alcançar a sobriedade em A.A., eu sabia sem nenhuma dúvida, que o álcool estava me matando, mas, mesmo com esse conhecimento, fui incapaz de parar de beber. Assim, quando encarei o Primeiro Passo, foi fácil admitir que me faltava força para não beber. Mas que tinha perdido o domínio de minha vida? Nunca. Cinco meses após ter chegado em A.A. estava bebendo novamente e imaginando por quê?
Mais tarde, de volta a A.A. e sentindo a dor de minhas feridas, aprendi que o Primeiro Passo é o único que pode ser praticado 100%. E que a única maneira para praticá-lo é aceitar esse Passo 100%. Desde então, já se passaram muitas 24 horas e não precisei praticar novamente o Primeiro Passo.

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