COMO TUDO COMEÇOU
1957
– Era janeiro. O Carnaval já começara nos salões sociais e populares. No
cine-teatro Arthur Azevedo o espetáculo anunciado era “O Ébrio” (com Pedro
Celestino – irmão de Vicente, Valéria Montesi, Tiago Junior e artistas
maranhenses da AMAI). A peça contava a história de um homem que perdera tudo
por causa do alcoolismo. Na imprensa, lia-se que uma mulher, brigada como o
companheiro e sob o efeito de bebida alcoólica, ateara fogo às veste e morrera.
O
Maranhão seria o terceiro Estado Brasileiro a receber a mensagem de Alcoólicos Anônimos (depois do Rio de
Janeiro e Bahia), 10 anos depois de haver desembarcado no Brasil, pelo Rio de
janeiro (setembro de 1947), vindo dos Estados Unidos, onde a Irmandade surgira
em 10 de junho de 1935. E seria um carioca o transmissor da boa nova a um
maranhense que queria, mas, não sabia como parar de beber. Esse maranhense era
Magno Filgueiras. Bebedor há cerca de 20 anos.
A
história de Alcoólicos Anônimos nem
sempre é uma história triste, ela se revela, entretanto, através de pessoas que
sofreram na pele as vicissitudes do álcool, do medo, dos delírios, dos
ferimentos. Muitos alcoólatras perderam as esposas, os filhos, mas geralmente,
antes disso, perderam a paz de espírito.
Aqui,
nos propomos a contar a história de Alcoólicos
Anônimos no Maranhão. Em 03 (três) de janeiro de 1957, chegava pela
primeira vez a São Luis, a mensagem grandiloqüente da irmandade A.A.. Este relato foi feito pelo mais
antigo de nossos companheiros, o companheiro Magno (falecido) que, muitas
vezes, sofreu a solidão de ser o único membro de A.A. no Maranhão que havia, de
fato, conseguido estacionar com a doença do alcoolismo, pois havia parado de
beber depois de receber a mensagem.
Apesar
da estação chuvosa, o amanhecer daquele 03 de janeiro de 1957 fora magnífico.
Já o sol havia secado o orvalho de todas às folhas e o velho relógio da Igreja
de São Pantaleão soada às 09h00min horas da manhã. Mesmo assim, nos baixos de
um sobradão, no número 103 da antiga Rua do Machado, na orla marítima da antiga
praia do Caju, um homem ainda guardava o leito. E tinha dois motivos para na
participar daquela festiva manhã, em São Luis, a bela a ainda colonial capital
do maranhão.
É
que a costumeira farra da véspera – a primeira daquele ano – não havia
terminado bem. A discussão surgida em meio à bebedeira, os insultos recíprocos
e a bofetada no rosto de seu adversário lhe havia custado caro. Obrigado a
fugir das balas de seu inimigo, ele não vacilou em se lançar dentro de uma vala
aberta no meio da rua para implantação da rede de esgotos. A alternativa foi
providencial, posto que lhe salvou a vida, mas custou-lhe pesado tributo.
Na
queda, as estacas que sustentavam a fundação da galeria lhe haviam arrancado
parte do couro cabeludo e da pele do rosto, dos braços e do tórax.
(Continua na próxima postagem)
REFLEXÃO DIÁRIA
PERMANECEMOS UNIDOS
10-01-2014
Aprendemos que precisávamos admitir, do fundo de nossos corações, que éramos alcoólicos. Este é o primeiro passo para a recuperação. É preciso destruir a ilusão de que somos, ou poderemos ser, como as outras pessoas.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
Procurei Alcoólicos Anônimos porque era incapaz de controlar minha maneira de beber. Foram as reclamações de minha mulher; ou talvez do delegado que me forçou a ir às reuniões de A.A., ou ainda no íntimo do meu próprio ser sentisse que não podia beber como os outros; mas não queria admitir porque essa alternativa me aterrorizava. Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres unidos contra uma doença comum e fatal. Nossas vidas estão ligadas umas com as outras, como os sobreviventes num barco salva-vidas no mar. Se trabalharmos juntos, chegaremos salvos à praia.
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