terça-feira, 18 de março de 2014

Uma aula de espiritualidade

Foi como se eu tivesse realmente "pronto" - no quarto ano de A.A. - para ler o texto do filósofo norte-americano William James, considerado o "pai da moderna psicologia". Li Variedades da Experiência Religiosa como quem estuda: com cuidadosa atenção e anotando passagens importantes num bloco de papel. Como não encontrei uma edição em português, recorri a um volume em espanhol, numa biblioteca pública, e isso por si só tornou minha leitura ainda mais atenta.
Foram muitas e gratíssimas as surpresas. A experiência foi notável, não só por confirmar para mim aspectos da espiritualidade que eu já havia percebido, por meio da prática do programa de A.A. - a exemplo da consideração do autor de que "Deus é real desde o momento em que produz efeitos reais", mas também porque me abriu novas e valiosas perspectivas de crescimento espiritual, ao esclarecer sensações que já tinham me assaltado
mas que não conseguia identificar com clareza. Caso desta passagem:
"A prece ou a comunhão íntima com o espírito transcendental - seja 'Deus' ou 'lei' - constitui um processo onde o fim se cumpre realmente, e a energia espiritual emerge e produz resultados precisos, psicológicos ou materiais, no mundo fenomenológico.".
Ao final da leitura sobrou para mim uma certeza: a de que o crescimento espiritual constante poderá me conduzir a um estado em que minhas preces deixem de ser meramente súplicas (como foram até agora e acredito que assim continuarão por tempo indeterminado) e assem a representar um estado mais elevado, em que eu possa louvar e amar a Deus como Ele merece ser louvado e amado - para que a semente de Sua presença dentro de meu próprio espírito possa se tornar plenamente efetivada.
Confesso que, de início, não achava que fosse ler o livro inteiro, mas apenas dois dos 20 capítulos, os que tratam da conversão (que eu entendo como despertar espiritual). Findos os dois capítulos (cada capítulo corresponde a cada uma das 20 conferências realizadas por James na Universidade de Edimburgo, na Inglaterra, entre 1901 e 1902), compreendi que
tinha aberto uma arca de tesouro, passando a devorar tudo.
Há no livro um aspecto que, logo de saída, me fisgou: a generosidade do mestre, que não dá um passo sem relatar detalhadamente casos verídicos (alguns envolvendo alcoólicos), além de citar bastante outros autores e pesquisadores - como é o caso destas palavras , creditadas ao professor Leuba, contemporâneo seu e também precurssor da psicologia da religião:
"Deus não é conhecido, não é compreendido, é simplesmente utilizado, às vezes como provedor material, às vezes como suporte moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Se demonstrar sua utilidade, a consciência espiritual não exige mais nada.
Existe Deus realmente?
O que é?, são perguntas irrelevantes.
Não é a Deus que encontramos na análise última dos fins da espiritualidade, mas sim a vida, maior quantidade de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória. O amor à vida, em qualquer e em cada um de seus níveis de desenvolvimento, é o impulso religioso".
Outra citação, creditada pelo autor a Frederic Myers: "Se perguntarmos a quem dirigir a prece, a resposta (curiosamente, é certo...) há de ser isso não tem demasiada importância; a prece não é uma coisa puramente subjetiva, significa um incremento real da intensidade de absorção de poder espiritual - ou graça -, mas não sabemos suficientemente o que ocorre no mundo espiritual, para saber como atua a prece, quem toma conhecimento dela,
ou por que tipo de canal é outorgada a graça".
James também afirma que "o ponto religioso fundamental é que na prece e energia espiritual - em outros momentos adormecida - torna-se ativa e realmente se efetua uma obra espiritual de algum gênero". Ele constatou, em suas extensas pesquisas sobre homens e mulheres que conseguiram despertar seu íntimo espiritual , que "o novo ardor que acende o peito dessas pessoas consome, com seu fulgor,as inibições inferiores que antes as perseguiam e
imuniza-as da porção vil de suas naturezas. A magnanimidade, antes impossível, agora parece fácil; os convencionalismos insignificantes e os vis incentivos, antes tirânicos, agora não mais as subjugam".
Muito antes da fundação de A.A., James já utilizava palavras muito familiares a todos nós, membros da Irmandade: "O despertar espiritual pode advir por um crescimento gradual ou abruptamente (por crisis), mas em qualquer desses casos parece ter chegado 'para ficar'...". Citando Starbuck, outro contemporâneo seu, James comenta que o efeito do despertar espiritual consiste em proporcionar "uma mudança de atitudes com relação à vida, que é
constante e permanente, ainda que os sentimentos flutuem...".
Essa singela colocação, "ainda que os sentimentos flutuem", produziu em mim um efeito balsâmico. É que durante um bom período de minha recuperação pessoal, vivia com medo de que minhas oscilações emocionais constituíssem um grande risco. É certo que preciso continuar muito atento a meus altos e baixos emocionais, mas o fato é que tal reflexão veio confirmar o que eu já vinha percebendo há algum tempo. Ou seja, que, como ser humano, estou sujeito a uma certa gangorra de sentimentos, que nem sempre, contudo, leva a
uma recaída alcoólica.
Um pouco mais de esclarecimento, sobre os meus temores de recaída, chegou-me com essa reflexão: "Enquanto a nova influência emocional não alcançar um tom de eficácia determinante, as mudanças que produz são inconstantes e volúveis e o homem volta a recair em sua atividade original.
Mas quando uma emoção nova consegue uma certa intensidade, atravessa-se um ponto crítico, conseguindo-se uma revolução irreversível equivalente à produção de um novo estado natural".
E é muito significativo que, 35 anos antes da fundação de A.A., William James, confrontando o "santo" (para o autor, santa é toda pessoa com faculdades espirituais fortes e desenvolvidas) e o "homem forte" (refere-se ao conceito de super-homem, de Nietzche), tenha escrito: "(...) No entanto, é possível conceber uma sociedade imaginária na qual não caiba a agressividade mas sim apenas a simpatia e a justiça - qualquer pequena
comunidade de verdadeiros amigos conduz a essa sociedade. Quando consideramos abstratamente esta sociedade, ela seria, em grande escala, o paraíso, já que cada coisa boa se produziria sem nenhum desgaste. O santo se adaptaria perfeitamente a essa sociedade.
Suas maneiras pacíficas seriam positivas para seus companheiros e não haveria ninguém que se aproveitasse de sua passividade. Portanto, o santo é, abstratamente, um tipo de homem
superior ao 'homem forte', porque se adapta a essa sociedade mais elevada concebível, sem depender para nada o fato desta sociedade vir a se concretizar ou não jamais". Impossível não fazer uma analogia com A.A.
Nessa altura de minha programação pessoal, estou amplamente convencido de que a vasta literatura de A.A. é mais do que suficiente para minha recuperação constante - só por hoje. Lendo o livro de William James , pude sentir uma enorme satisfação também pelo fato de estar bebendo das águas de um dos regatos dos quais Bill W. se serviu. E uma grande necessidade de compartilhar minha experiência com os leitores da revista. Vinte e quatro
horas a todos.
Juan, São Paulo/SP
Vivência - maio/junho 2000

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Essa questão do Medo por Bill W.


Corno diz o livro Alcoólicos Anônimos, "O medo é um fio perverso e corrosivo; o tecido das nossas vidas está entremeado dele". O medo é certamente uma barreira para a razão e o amor e, como é claro, ele potencializa invariavelmente a raiva, a presunção e a agressão. O medo forma a base da culpa e da depressão paralisante da embriaguez. O Presidente Roosevelt observou uma vez significativamente que "Não temos nada a temer a não ser o próprio medo".

 Essa é uma acusação severa e talvez demasiadamente radical. Apesar de toda sua destrutividade habitual, descobrimos que o medo pode ser o ponto de partida para coisas melhores. O medo pode ser um limiar para a prudência e para um respeito honesto pelos outros. Ele pode apontar o caminho tanto para a imparcialidade quanto para o ódio. E quanto mais consideração e imparcialidade que tivermos em relação aos outros, mais rapidamente poderemos encontrar o amor, que pode ser muito sofrido e não obstante ser livremente concedido. Assim, o medo não tem que ser sempre destrutivo, porque as lições trazidas pelas suas conseqüências podem nos conduzir a valores positivos.
A conquista da liberdade a partir do medo é uma tarefa para a vida toda, uma tarefa que nunca poderá ser totalmente concluída. Sob ameaças pesadas, nas doenças agudas ou em outras situações de séria insegurança, temos todos que reagir bem ou mal, conforme seja o caso. Apenas os presunçosos afirmam estarem totalmente livres do medo, embora essa própria grandiosidade esteja na realidade enraizada nos temores que eles temporariamente esqueceram.
A solução do problema do medo tem conseqüentemente dois aspectos. Precisamos tentar obter por todos os meios à libertação do medo que está ao alcance de todos nós. Em seguida, precisamos encontrar tanto a coragem quanto a graça para lidar construtivamente com quaisquer temores remanescentes. Tentar entender nossos temores e os temores dos outros é apenas o primeiro passo. A questão maior é saber como e para onde iremos a partir desse ponto.
Desde o início de A.A., observei a medida em que milhares de companheiros se tornaram cada vez mais capazes de transcender seus temores. Esses exemplos foram um auxílio e uma inspiração infalíveis. Pode ser, então, que algumas das minhas próprias experiências com o medo e com a libertação do mesmo, até um grau encorajador, sejam adequadas.
Quando criança tive alguns traumas emocionais muito duros. Existiam profundos distúrbios familiares; eu era fisicamente desajeitado e assim por diante. E claro que outras crianças tiveram desvantagens emocionais como essas e emergiram delas ilesas. Mas eu não. Eu era evidentemente hipersensível e, conseqüentemente, muito impressionável. De qualquer forma, desenvolvi uma fobia positiva que não era e nunca poderia ser semelhante àquela dos outros jovens. Isso me precipitou inicialmente na depressão e daí em diante no isolamento da solidão.
Mas esses infortúnios infantis, todos eles gerados pelo medo, vieram a serem tão intoleráveis que eu me tornei altamente agressivo. Pensando que nunca poderia pertencer a grupos e jurando que nunca me contentaria com nenhuma situação inferior, eu simplesmente tinha que ser o melhor em tudo que fazia, trabalho ou diversão. A medida em que essa atraente fórmula para uma vida boa começou a obter sucesso, de acordo com as minhas próprias especificações de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando um empreendimento ocasionalmente falhava, eu me enchia de um ressentimento e de uma depressão que só poderiam ser curados pelo triunfo seguinte. Desde o início, portanto, acostumei-me a valorizar tudo em termos de vitória ou derrota - tudo ou nada. A única satisfação que eu conhecia era vencer.
Esse era o meu falso antídoto para o medo e foi esse o padrão, gravado cada vez mais profundamente, que me impulsionou através dos meus anos escolares, da Primeira Guerra Mundial, da febril carreira de alcoólico em Wall Street e ladeira abaixo até a hora final do meu colapso total. Já então, a adversidade não era mais um estimulante e eu já não sabia se meu maior medo era viver ou morrer.
Embora meu padrão básico de medo seja muito comum, existem obviamente muitos outros. Na realidade, as manifestações do medo e os problemas que se arrastam atrás delas são tão numerosas e complexas que não é possível detalhar, neste breve artigo, nem mesmo algumas delas. Só podemos revisar os recursos e os princípios espirituais através dos quais poderemos ser capazes de enfrentar e lidar com o medo em qualquer um dos seus aspectos.
No meu próprio caso, a pedra fundamental da libertação do medo é a Fé: uma Fé que, apesar de todas as aparências mundanas em contrário, faz-me acreditar que vivo em um universo que faz sentido. Para mim, isso significa a crença em um Criador que é todo poder, justiça e amor; um Deus que pretende para mim uma finalidade, um significado e um destino ao crescimento, ainda que pequeno e intermitente, em direção à Sua semelhança e imagem. Antes da chegada da Fé, eu vivia como um estranho em um cosmo que me parecia, freqüentemente, tanto hostil quanto cruel. Nesse mundo, não poderia haver nenhuma segurança interior para mim.
O Dr. Carl Jung, um dos três fundadores da moderna psicologia em profundidade, tinha uma enorme convicção sobre esse grande dilema do mundo moderno. Em paráfrase, eis o que ele tinha a dizer a esse respeito: "Qualquer pessoa que tenha chegado aos quarenta anos de idade e ainda não tenha meios para compreender quem ela é, onde ela se encontra ou para onde vai em seguida, não pode evitar tornar-se um neurótico - até certo ponto. Isso se aplica quer seus impulsos da juventude em relação ao sexo, à segurança material e a um lugar na sociedade tenham ou não sido satisfeitos". Quando disse "tornar-se neurótico", o bondoso médico poderia ter dito igualmente "tornar-se dominado pelo medo".
E exatamente por essa razão que nós de A.A. colocamos tanta ênfase na necessidade da Fé em um Poder Superior, definido na forma em que O concebemos. Temos que encontrar uma vida no mundo da graça e do espírito e esta é certamente uma dimensão nova para a maioria de nós. Surpreendentemente, nossa busca por esse âmago da essência não é muito difícil. Nosso ingresso consciente nesse domínio começa assim que pudermos confessar sinceramente nossa impotência pessoal para continuarmos sozinhos e tivermos feito nosso apelo a qualquer Deus que possamos conceber - ou possa existir. A resultante é a dádiva da Fé e a consciência de um Poder Superior. A medida em que cresce a Fé, cresce também a segurança interior, O vasto medo subjacente à inexistência de um significado começa a desaparecer. Conseqüentemente, nós de A.A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é um despertar espiritual.
Tal como aconteceu, minha própria percepção espiritual surgiu de maneira repentina e absolutamente convincente. Tornei-me instantaneamente uma parte - ainda que pequena - de um cosmo que era regido pela justiça e pelo amor na pessoa de Deus. Não importa quais tivessem sido as conseqüências da minha própria disposição e ignorância, ou daquelas dos meus companheiros de jornada na terra, essa ainda era a verdade. Foi essa a garantia nova e positiva e ela nunca me abandonou. Foi-me dado o conhecimento, pelo menos momentâneo, do que poderia ser a ausência do medo. E claro que a minha própria dádiva da Fé não foi essencialmente diferente desse despertar espiritual recebido desde então por incontáveis AAs - ela foi apenas mais súbita. Mas até mesmo esse novo ponto de referência - embora criticamente importante - apenas assinalou meu ingresso nesse longo caminho que nos afasta do medo em direção ao amor. As antigas e profundamente registradas gravações da ansiedade não foram instantânea e permanentemente apagadas. E claro que elas reapareceram e, ocasionalmente, de forma alarmante.
Sendo receptor dessa espetacular experiência espiritual, não foi de surpreender que a primeira fase da minha vida em A.A. fosse caracterizada por muito orgulho e um impulso de poder. O anseio pela influência e a aprovação, o desejo de ser o líder, ainda estava muito em mim. Melhor dizendo, esse comportamento poderia agora ser justificado - tudo em nome das boas intenções!
Aconteceu, felizmente, que essa fase era um tanto espalhafatoso da minha grandiosidade, que durou alguns anos, fosse seguida por uma seqüência de adversidades. Minha exigência de aprovação, baseada obviamente no medo de que eu pudesse não receber o suficiente, começou a colidir com essas características idênticas dos meus companheiros de A.A. Daí deriva o fato deles salvarem a Irmandade de mim, e eu salvá-la deles, ter se tornado uma ocupação totalmente absorvente. Isso logicamente resultou em raiva, suspeita e todo tipo de episódios assustadores. Nessa era notável e já hoje bastante divertida dos nossos esforços, uma parte de nós começou novamente a desempenhar o papel de Deus. Durante alguns anos, os defensores de A.A. dispararam imprudentemente. Mas foi a partir dessa temível situação que fora formulados os Doze Passos e as Doze Tradições. Esses princípios foram desenvolvidos principalmente para a redução do ego e, conseqüente mente, para a redução dos nossos temores. Esses foram os princípios que, segundo esperávamos, nos manteriam unidos e em crescente amor uns para com os outros e para com Deus.
Começamos gradualmente a sermos capazes de aceitar tanto os pecados quanto as virtudes dos outros companheiros. Foi nesse período que cunhamos a poderosa e significativa expressão: "Possamos nós amar sempre o melhor e nunca temer o pior dos outros". Depois de dez anos tentando inserir esse tipo de amor e as propriedades redutoras do ego dos Passos e Tradições de A.A. na vida da nossa Irmandade, os apavorantes temores quanto à sobrevivência de A.A. simplesmente desapareceram.
A prática dos Doze Passos e das Doze Tradições de A.A. em nossas vidas pessoais suscitou também em incríveis libertações dos temores de toda espécie, apesar da ampla prevalência de formidáveis problemas pessoais. Quando o medo persistia, nós o aceitávamos por aquilo que ele era e, sob a graça de Deus, tornamo-nos capazes de controlá-lo. Começamos a encarar cada adversidade como uma oportunidade oferecida por Deus, para desenvolvermos o tipo de coragem que nasce da humildade e não da arrogância. Assim, fomos capacitados a aceitar nós mesmos, nossas circunstâncias e nossos companheiros. Sob a graça de Deus, descobrimos até mesmo que podíamos morrer com decência, dignidade e Fé, sabendo que "o Pai se encarregará de tudo".
Nós de A.A. encontramo-nos agora vivendo em um mundo caracterizado pelos temores destrutivos como nunca antes na história. Mas, não obstante, nele percebemos grandes áreas de Fé e enormes aspirações voltadas para a justiça e a fraternidade. E no entanto nenhum profeta pode pretender afirmar se as conseqüências mundiais serão a destruição fulgurante ou o início da era mais brilhante até hoje conhecida pela humanidade, segundo a intenção de Deus. Estou certo de que nós AAs compreendemos esse cenário. Experimentamos no microcosmo es idêntico estado de terrificante incerteza, cada um e sua própria vida. Nós os AAs podemos afirmar, sem orgulho nenhum, que não tememos os desenvolvi mentos mundiais, não importa o rumo que possam tomar. Isso se deve ao fato de termos sido capacita dos a sentir profundamente e a afirmar: "Não devemos temer nenhum mal - seja feita a Vossa vontade e não a nossa".
A história que se segue, freqüentemente narrada, pode não obstante suportar a repetição. No dia em que a surpreendente calamidade de Pearl Harbor se abateu sobre nossa Nação, um amigo de A.A., uma das maiores figuras espirituais que talvez jamais conheceremos um igual, caminhava por uma rua de St. Louis. Tratava-se como é claro do nosso benquisto Padre Edward Dowling, da Ordem dos Jesuítas. Embora não fosse um alcoólico, ele havia sido um dos fundadores e uma fonte de inspiração primordial para o esforçado Grupo de A.A. daquela cidade. Uma vez que grande parte dos seus amigos habitualmente sóbrios já havia recorrido às garrafas buscando apagar as implicações do desastre de Pearl Harbor, o Padre Edward estava compreensivelmente angustia do com a probabilidade do seu acalentado Grupo de A.A. dificilmente sobreviver. Para a mente do Padre Edward, essa seria em si mesma uma calamidade de primeira ordem.
Foi então que um membro de A.A., sóbrio há me nos de um ano, emparelhou o passo com ele e envolveu o Padre Edward em uma animada conversa - principalmente acerca de A.A.
Como o Padre percebeu aliviado, seu companheiro estava perfeitamente sóbrio. E não disse uma única palavra acerca do problema de Pearl Harbor.
Intrigado e maravilhado a esse respeito, o Padre perguntou: "Como é que você não tem nada a dizer acerca de Pearl Harbor? Como é que você manifesta tanta disposição?"
"Bem", replicou o AA, "estou realmente surpreso que você não saiba. Cada um de nós em A.A. já teve sua própria Pearl Harbor particular. Assim, pergunto a você por que deveríamos nós, alcoólicos, nos exaltar em relação a isso?"
                                                                         Extraído da Revista Vivência

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sobre Princípios da Medicina, da Religião e de Alcoólicos Anônimos


Em 71 anos, Alcoólicos Anônimos, essa sociedade de "pessoas afins", cresceu em número de membros e Grupos espalhados pelo mundo todo. A.A. tem um único propósito, o de ajudar outros alcoólicos a se recuperarem da sua doença. O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. mão há necessidade de pagar taxas nem mensalidades. Não há ponto de vista particular, médico ou religioso, que seja promovido pela Irmandade. Não procura reformar o membro.
A maior contribuição de A.A. para os programas de psiquiatria e religião, no campo do alcoolismo, foi resumida como segue:
1. A habilidade dos membros, como ex-bebedores, para assegurar a confiança dos recém-chegados que procuram ajuda – "para estabelecer uma linha de comunicação para dentro deles".
2. A condição de uma irmandade de entendimento ou sociedade de ex-bebedores, na qual os recém-chegados podem com êxito aplicar os princípios da medicina e religião para si mesmos e para os outros.
Por gerações, a medicina e religião têm confiado em princípios estabelecidos ou aproximações básicas ao ocupar-se com o bebedor-problema. Há semelhanças interessantes e fundamentais nos dois campos. Por exemplo:
A MEDICINA DIZ:
A RELIGIÃO DIZ:
1. Os alcoólicos precisam de uma mudança de personalidade.1. Os alcoólicos precisam de um coração transformado.
2. Os alcoólicos deveriam ser analisados; deveria ser feita uma catarse mental completa e honesta.2. Os alcoólicos deveriam examinar sua consciência; deveriam fazer um "inventario moral"; eles podem ser ajudados através de confissão ou discussões francas.
3. Os sérios defeitos de personalidades devem ser eliminados através de acurado conhecimento de si mesmo e ajustamento realista para a vida.3. Os defeitos de caráter (pecados) podem ser eliminados pela aquisição de mais honestidade, humildade, altruísmo, tolerância, generosidade, amor, etc.
4. Os alcoólicos neuróticos fogem da vida;são figuras preocupadas consigo mesmas e com ansiedade anormais; afastam-se das outras pessoas.4. O problema básico dos alcoólicos é o egocentrismo. Tímidos e egoístas, eles têm-se esquecido da afinidade de todo ser humano.
5. Os alcoólicos precisam encontrar "um novo e dominante interesse na vida", precisam "voltar para o meio das pessoas". Eles deveriam encontrar interesses, atividades e passatempos para tomar o lugar do álcool.5. Os alcoólicos deveriam aprender o "poder expulsivo de um novo afeto", de amor para servir a humanidade, para servir a Deus. Eles precisam "perder suas vidas para encontrá-las" e deveriam voltar para a igreja e lá encontrar abnegação no serviço. Pois "a fé sem obras é fé morta".
Alcoólicos Anônimos tornou-se um campo de encontro cooperativo para ambos os conceitos. Nada no programa de recuperação de A.A. conflita basicamente com os princípios da medicina ou da religião. Em A.A. como um dos primeiros membros salientou, o recém-chegado pode tentar qualquer aproximação. "Ele às vezes elimina o chamado ângulo espiritual do programa e confia completamente nos fatores de honestidade, tolerância e no trabalho com os outros. Porem, é curioso notar que a fé sempre vem para aqueles que tentam essa simples aproximação com a mente aberta... e nesse ínterim eles permanecem sóbrios. Se, entretanto, o conteúdo espiritual do programa for rejeitado ativamente, o recém-chegado raramente poderá permanecer abstêmio. Essa é a experiência de A.A. em toda a parte. Nós enfatizamos o espiritual, simplesmente, porque milhares de nós que o temos encontrado, nada podemos fazer sem ele."
O programa de recuperação de A.A. , com o qual tantos médicos hoje estão familiarizados, está contido nos "Doze Passos" baseados na experiência dos primeiros membros da Irmandade. Resumindo, esses Passos sugerem simplesmente:
  • Admissão do alcoolismo;
  • Análise da personalidade e catarse;
  • Ajustamento das relações pessoais;
  • Dependência de algum Poder Superior e
  • Trabalho com outros alcoólicos.
(Extraído do livreto"Alcoólicos Anônimos e a Classe Médica")

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ALCOOLISMO NAS EMPRESAS

Sou psicóloga e profissional da área de recursos humanos em uma empresa. Como o alcoolismo é uma situação que vivencio no meu dia-a-dia e por não saber quase nada a seu respeito nem como abordar um provável alcoólatra, recorri ao livro Alcoólicos Anônimos.
Para minha surpresa, encontrei uma abordagem simples do problema visto por quem havia passado pelo problema e nada é mais real e objetivo do que a experiência pessoal.
Todo trabalho científico é baseado em pesquisa e experimentações e, mesmo o A.A. não se dedicando a este campo, constatou, através da experiência de milhares de membros, a gravidade e a possibilidade de uma nova abordagem do assunto, ainda tão desconhecido de nossa sociedade.
É o alcoolismo visto sob a ótica de quem trilhou o seu caminho, uma abordagem de dentro para fora, riquíssima em seu conteúdo.
O capítulo 10 do livro Alcoólicos Anônimos tem como título "Aos empregadores" e traz um roteiro completo de como devem ser abordados casos de alcoolismo em empresas e eu tenho adotado as sugestões lá recomendadas.
Para simplificar e até distribuir para outros colegas de profissão que têm o mesmo problema em sua rotina profissional, condensei o conteúdo deste riquíssimo capítulo da forma que segue abaixo.
Se encontrarem algum proveito nele, valeu a pena. Caso contrário valeu a pena da mesma forma, pois pude ter acesso ao conteúdo deste programa maravilhoso de recuperação que é Alcoólicos Anônimos.
Roteiro simplificado de como o profissional de recursos humanos de uma empresa deve se relacionar com o problema alcoolismo dentro da empresa.
  • Primeiro passo: se informar sobre o alcoolismo. Indicação dos livros: – "O texto básico de Alcoólicos Anônimos" (Livro Azul) e "Os Doze Passos e as Doze Tradições" (são adquiridos em A.A.).
  • Compreender que o alcoolismo é uma doença grave.
  • Tendo certeza de que seu funcionário não quer parar de beber, deverá ser demitido. E que fique claro quanto ao motivo: Alcoolismo.
  • Ter uma atitude compreensiva em relação a cada caso.
  • Diga-lhe que sabe o quanto ele bebe e que aquilo precisa acabar. Você pode dizer que aprecia sua capacidade, que gostaria de conservá-lo na empresa, mas que não poderá fazê-lo se ele continuar a beber. Uma posição firme, neste sentido, irá ajudá-lo.
  • A seguir, garanta-lhe que não pretende fazer um sermão, dar lições de moral ou condená­lo. Que, se isto foi feito antes, foi por uma questão de falta de conhecimento de causa. Se possível, demonstre que não nutre contra ele sentimentos negativos. Neste ponto, talvez seja uma boa idéia explicar-lhe o alcoolismo como doença. Diga que você acredita que ele esteja gravemente doente, com esta ressalva: sendo talvez portador de uma doença fatal gostaria ele de se recuperar? Você pergunta por que muitos alcoólicos, estando mentalmente perturbados e embotados, não querem parar de beber. Mas e ele, quer? Dará os passos necessários, submetendo-se seja ao que for para parar de beber? Se ele disser que sim, está sendo realmente sincero, ou no fundo acha que pode enganá-lo e que, depois de um descanso e tratamento conseguirá continuar a tomar uma ou outra dose de vez em quando? Achamos que um homem deve ser cuidadosamente investigado em relação a estes pontos. Certifique-se de que ele não o esteja enganando, ou a ele mesmo.
  • Se ele contemporizar e ainda achar que pode beber outra vez, mesmo que seja só cerveja, poderá perfeitamente ser demitido depois do próximo porre que, sendo um alcoólico, certamente tomará. É preciso que ele entenda bem isto. Ou você está lidando com um homem que pode e quer se recuperar ou não está. Se não estiver, por que perder tempo com ele? Isto pode parecer duro, mas em geral é o melhor caminho.
  • Depois de se certificar de que seu empregado quer se recuperar e que fará o que for preciso para conseguir, você pode sugerir-lhe um programa de ação definitivo. Para a maioria dos alcoólicos que está bebendo, ou acabando de sair de uma bebedeira, uma certa dose de tratamento físico é necessária, e até imperativa. A questão do tratamento físico deve, é claro, ser submetida a seu próprio médico. Seja qual for o método adotado, seu objetivo é eliminar do corpo e da mente os efeitos do alcoolismo. Em mãos competentes, isto raramente demora muito e não custa muito caro. Seu funcionário se sentirá melhor se for posto em condições físicas tais que lhe permitam pensar com clareza e não sentir mais a compulsão pelo álcool.
  • Se você lhe propuser tal procedimento, talvez seja preciso adiantar-lhe o custo do tratamento, mas acreditamos que deva ficar claro que quaisquer despesas serão futuramente deduzidas de seu salário. É melhor para ele sentir-se responsável.
  • Se o funcionário aceitar sua oferta deve ser enfatizado que o tratamento físico é apenas uma pequena amostra do que o espera. Embora você lhe esteja proporcionando os melhores cuidados médicos, ele deve compreender que precisa passar por uma reformulação interna. Superar o hábito da bebida irá requerer uma modificação de pensamento e atitudes. Todos nós precisamos colocar a recuperação acima de tudo o mais, pois sem a recuperação teríamos perdido tanto o lar quanto o emprego.
  • Você pode confiar totalmente em sua capacidade de se recuperar? Por falar em confiança, será que você poderá adotar a atitude de que, no que depender de você, tudo isto permanecerá um problema estritamente pessoal, que seus erros devidos ao alcoolismo e o tratamento ao qual ele vai se submeter nunca serão discutidos sem o consentimento do próprio? Talvez seja bom ter uma boa conversa com ele, quando voltar ao trabalho.
  • Caso você se sinta inseguro para ter tal conversa ou seu relacionamento com o funcionário esteja ligado por um grande laço de amizade poderá estar tendo este tipo de conversa com o alcoólico: "Ei, fulano, você quer parar de beber ou não? Cada vez que você bebe, eu é que fico no fogo. Não é justo, nem comigo nem com a firma. Eu estive estudando umas coisas sobre alcoolismo. Se você for um alcoólico, é um homem seriamente doente. Você age como se fosse. A empresa quer ajudá-lo a melhorar e, se estiver interessado, há um jeito de sair dessa. Se for em frente, seu passado será esquecido e o fato de que você foi afastado para tratamento médico não será divulgado. Mas, se você não quiser ou não puder parar de beber, acho que deve pedir demissão".
  • Lembramos que o sigilo e a ética devem ser estritamente respeitados. Comentários sobre o assunto com pessoas que não estão diretamente ligadas ao funcionário só serviram para gerar fofocas e comentários maliciosos. Naturalmente, este tipo de coisa reduz as chances de recuperação do funcionário. O empregador deve proteger o funcionário deste tipo de mexerico, defendendo-o contra provocações desnecessárias ou críticas injustas.
  • Caso ele (a) recaia, por uma vez que seja, cabe ao seu superior decidir se será ou não mandado embora. Se estiver convencido de que ele não está levando o caso a sério, não há dúvidas de que deve demiti-lo. Se, pelo contrário, tiver a certeza de que ele está fazendo o que pode, talvez queira lhe dar outra chance. Mas você não deve se sentir obrigado (a) a conservá-lo na empresa, pois sua obrigação já foi totalmente cumprida.
  • Em resumo, ninguém deveria ser demitido apenas por ser alcoólico. Se quiser parar de beber, deve merecer uma chance. Se não puder ou não quiser parar, deve ser demitido. Poucas são as exceções.
Este tipo de enfoque resolverá muitos problemas e permitirá a reabilitação de bons funcionários e ao mesmo tempo você não hesitará em se livrar daqueles que não querem ou não conseguem parar com a bebida.
O alcoolismo pode estar causando muito prejuízo à sua empresa, em termos de perda de tempo, pessoal e reputação, ou poderá causar um grave acidente de trabalho.
Estas sugestões têm como objetivo ajudar a eliminar estas perdas, às vezes consideráveis.
Andréia Boggione
Psicóloga Organizacional
Profissional da Área de Recursos Humanos Betim/MG
Vivência nº 99


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O LIVRO ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Origem do nome - Porque Alcoólicos Anônimos ?

Prefácio na Primeira Edição em 1939
big_ bookNós, os Alcoólicos Anônimos, somos várias centenas* de homens e mulheres que nos recuperamos de uma condição mental e física até hoje aparentemente incurável. Mostrar a outros alcoólicos exatamente como nos restabelecemos, é o principal objetivo deste livro. Esperamos que estas páginas sejam tão convincentes que não precisem de mais provas. Cremos que este relato das nossas experiências ajudará a todos que nos lêem a entenderem melhor o alcoolismo. Existem muitas pessoas incapazes de compreender que o alcoólico é um ser enfermo. Além disso, estamos certos que nossa maneira de viver traz vantagens para todos.
É importante permanecermos anônimos porque, presentemente, somos muito poucos para atender o grande número de cartas e pedidos em pessoa que possam surgir em conseqüência desta publicação. Além do mais, a quebra do anonimato poderia prejudicar as nossas atividades profissionais, visto sermos homens de negócios ou de profissão liberal. Queremos que fique bem entendido que nosso trabalho sobre alcoólicos é uma vocação.
Recomendamos a todos nossos companheiros que, ao escrever ou falar para o público sobre alcoolismo, omitam seus nomes, designando-se simplesmente como membro de "Alcoólicos Anônimos". Encarecidamente solicitamos também aos homens de imprensa que observem esse pedido, pois de outro modo seriamos muito prejudicados. Não somos uma organização no sentido convencional da palavra. Não temos que pagar quotas nem mensalidades. O único requisito para ser membro é o sincero desejo de deixar d beber. Não pertencemos a nenhuma seita ou denominação religiosa em particular, nem nos opomos a nenhuma delas. Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal. Será de grande interesse termos notícias dos que obtiveram bons resultados deste livro, especialmente dos que começaram a trabalhar com outros alcoólicos. Muito nos agradaria colaborar com eles. Será bem recebida toda correspondência da parte de sociedades científicas, médicas e religiosas.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Prefácio na Segunda Edição em 1955
second_editionOs números fornecidos neste prefácio descrevem a Irmandade como era em 1955.
Desde 1939, quando foi escrito o Prefácio original deste livro, deu-se um grande milagre. Nossa primeira edição expressou o desejo de que "todo alcoólico que viajar possa encontrar a Irmandade de Alcoólicos Anônimos em seu local de destino." E o texto prossegue. "Dois, três e cinco grupos de companheiros nossos já surgiram em outras comunidades."
Dezesseis anos se passaram entre nossa primeira tiragem deste livro e apresentação, em 1955, de nossa segunda edição. Neste curto espaço de tempo, Alcoólicos Anônimos desabrochou em quase 6.000 grupos cujos membros somam bem mais do que 150.000 alcoólicos recuperados. Grupos podem ser encontrados por todos os Estados Unidos e em todas as províncias do Canadá. Comunidades de A.A. estão florescendo nas Ilhas Britânicas, nos países Escandinavos, na África do Sul, América do Sul, México, Alasca, Austrália e Havaí. No total, iniciativas promissoras tiveram lugar em cerca de 50 países do exterior e em possessões americanas. Algumas estão, neste momento, se delineando na Ásia. Muitos amigos nossos nos encorajam, dizendo que isto é apenas um começo, apenas a promessa de um futuro muito maior.
A centelha que daria origem ao primeiro grupo de A.A. foi acesa em Akron, Ohio, em junho de 1935, durante uma conversa entre um corretor da Bolsa de Valores de New York e um médico de Akron. Seis meses antes, o corretor havia sido libertado de sua obsessão pela bebida por uma repentina experiência espiritual, após um encontro com um amigo alcoólico que havia estado em contato com os Grupos Oxford daquela época. Ele havia, também, recebido muita ajuda do falecido Dr. William D. Silkworth, médico de New York e especialista em alcoolismo, hoje considerado um santo médico pelos membros de A.A. e cuja história a respeito dos primeiros dias de nossa Sociedade está nas próximas páginas. Com este médico, o corretor aprendeu sobre a gravidade do alcoolismo. Embora não conseguisse aceitar todos os dogmas dos Grupos Oxford, ele se convenceu da necessidade de um inventário moral, da confissão dos defeitos de personalidade, da reparação junto aos que havia prejudicado, da ajuda ao próximo e da necessidade de acreditar e confiar em Deus.
Antes de sua viagem a Akron, o corretor havia trabalhado muito junto a vários alcoólicos, baseado na teoria de que somente um alcoólico poderia ajudar outro alcoólico, mas o único a quem conseguira manter sóbrio havia sido ele próprio. O corretor fora a Akron tratar de negócios que não deram certo, o que o deixou com muito medo de começar a beber novamente. De repente, percebeu que, para se salvar, precisava levar sua mensagem a outro alcoólico. Esse outro alcoólico foi o médico de Akron.
O médico, várias vezes, havia tentado resolver seu problema alcoólico através de recursos espirituais, mas não obteve sucesso. Porém, quando o corretor lhe transmitiu a descrição do Dr. Silkworth a respeito do alcoolismo e seu caráter incurável, o médico começou a buscar o remédio espiritual para sua doença com uma determinação da qual nunca antes fora capaz. Parou de beber e permaneceu sóbrio até o momento de sua morte em 1950. Isto pareceu provar que um alcoólico podia exercer sobre outro alcoólico um efeito impossível de ser conseguido por qualquer não-alcoólico. Demonstrou também que um trabalho persistente, de um alcoólico com outro, era vital para a recuperação permanente.
Por isso, os dois homens começaram, quase freneticamente, a tentar persuadir os alcoólicos que chegavam à enfermaria do Akron City Hospital. Seu primeiro caso, desesperador, recuperou-se imediatamente e tornou-se o terceiro membro de A.A.
Nunca mais bebeu. Este trabalho em Akron prosseguiu durante todo o verão de 1935. Houve muitos fracassos mas, de vez em quando, havia um sucesso encorajador. Quando, no outono de 1935, o corretor voltou para New York, o primeiro grupo de A.A. havia sido formado, embora, na época, ninguém se desse conta disso.
Um segundo grupo pequeno logo se formou em New York e seu exemplo foi seguido em 1937, com o início de um terceiro, em Cleveland. Além desses, havia alcoólicos solitários que tomaram conhecimento das idéias básicas em Akron ou New York e tentavam formar grupos em outras cidades. No final de 1937, o número de membros com um tempo razoável de sobriedade era suficiente para convencê-los de que uma nova luz havia penetrado no mundo sombrio do alcoólico.
Era então o momento, acreditaram os esforçados grupos, para levar ao mundo sua mensagem e sua inigualável experiência. Esta determinação deu frutos na primavera de 1939, com a publicação deste volume. Os membros somavam então cerca de 100 homens e mulheres. A nova sociedade, ainda sem nome, começou então a ser chamada Alcoólicos Anônimos, a partir do título de seu próprio livro. O período de vôo-cego terminou e A.A. entrou numa nova fase de sua época pioneira.
Com o aparecimento do novo livro, muita coisa começou a acontecer. O Dr. Harry Emerson Fosdick, o famoso clérigo, aprovou-o em sua crítica. No outono de 1939, Fulton Oursler, na ocasião editor da Liberty, publicou em sua revista um artigo intitulado "Os Alcoólicos e Deus". Isto gerou um afluxo de 800 frenéticas consultas ao pequeno escritório de New York, instalado naquele meio-tempo. Cada uma das consultas foi criteriosamente atendida, panfletos e livros foram remetidos. Homens de negócios, deslocando-se dos grupos já existentes, apresentaram-se aos novos membros em potencial. Novos grupos foram criados e descobriu-se, para surpresa geral, que a mensagem de A.A. podia ser transmitida tanto pelo correio quanto verbalmente. Em fins de 1939, calculava-se que 800 alcoólicos estavam a caminho da recuperação.
Na primavera de 1940, John D. Rockefeller Jr. ofereceu um jantar a vários amigos, para o qual convidou membros de A.A., a fim de que estes contassem suas histórias. Notícias a respeito chegaram ao conhecimento do grande público. Novamente choveram consultas e muita gente foi às livrarias comprar o livro "Alcoólicos Anônimos". Em março de 1941, o número de membros de A.A. havia chegado a 2.000. Então, Jack Alexander escreveu um importante artigo no Saturday Evening Post e retratou A.A. de forma tão convincente para o público que os alcoólicos em busca de ajuda realmente caíram sobre nós como uma avalanche. No final de 1941, A.A. contava com 8.000 membros. O processo de crescimento acelerado estava a todo vapor. A.A. se havia transformado em instituição nacional.
Nossa Sociedade entrou então num tímido e emocionante período de adolescência. O teste enfrentado foi o seguinte: Poderiam aqueles inúmeros alcoólicos até então errantes se reunir e trabalhar juntos com sucesso? Haveria discussões a respeito de membros, liderança e dinheiro? Haveria disputas de poder e prestígio? Haveria dissidências que destruiriam a unidade de A.A.? Em pouco tempo, A.A. viu-se cercados por esses problemas, por todos os lados e em todos os grupos. Mas, a partir desta alarmante e a princípio dilacerante experiência, nasceu a convicção de que os membros de A.A. precisavam permanecer unidos ou morreriam separados. Precisávamos unificar nossa Irmandade ou sair de cena.
Assim como havíamos descoberto os princípios através dos quais um alcoólico conseguia se manter vivo, precisávamos desenvolver princípios segundo os quais os grupos de A.A. e A.A. como um todo conseguissem sobreviver e funcionar de forma eficaz. Acreditava-se que nenhum alcoólico, homem ou mulher, poderia ser excluído de nossa Sociedade; que nossos líderes deveriam servir, jamais governar; que cada grupo deveria ser autônomo e que não seria exercida qualquer terapia profissional. Não haveria taxas ou mensalidades; nossas despesas deveriam ser cobertas por nossas próprias contribuições voluntárias. Nossa organização deveria se restringir ao mínimo, até mesmo em nossos centros de serviço. Nossas relações públicas deveriam basear-se em atração, não em promoção. Foi decidido que todos os membros deveriam ser anônimos em nível de imprensa escrita, rádio, televisão e cinema. E sob circunstância alguma deveríamos dar endosso, fazer alianças ou entrar em controvérsias públicas.
Esta era a essência das Doze Tradições de A.A. cujo texto integral encontra-se no final deste livro. Embora nenhum desses princípios tivesse a força de regras ou leis, já haviam sido, em 1950, tão amplamente aceitos, que foram confirmados por ocasião de nossa primeira Conferência Internacional, realizada em Cleveland. A extraordinária unidade de A.A. é, hoje, um dos maiores trunfos de nossa Sociedade.
Enquanto as dificuldades internas de nossa fase adolescente iam sendo eliminadas, a aceitação pública de A.A. crescia a passos largos. Havia duas razões principais para que isto ocorresse: o grande número de recuperações e os lares refeitos. O efeito causado por esses se fazia sentir em toda parte. Dos alcoólicos que chegavam a A.A. e realmente se esforçavam, 50% ficavam imediatamente sóbrios e assim permaneciam, 25% chegavam à sobriedade após algumas recaídas e, dos restantes, aqueles que continuavam em A.A. apresentavam melhoras. Milhares de outros freqüentavam umas poucas reuniões de A.A. e, a princípio, decidiam não precisar do programa. Mas um grande número desses – cerca de dois terços – começou a voltar com o passar do tempo.
Outra razão para a ampla aceitação de A.A. foi a dedicação de amigos – amigos ligados à medicina, à religião e à imprensa que, ao lado de inúmeros outros, se tornaram nossos hábeis e persistentes advogados. Sem esse apoio, teria sido impossível que A.A. progredisse tão depressa. Algumas das recomendações dos primeiros amigos de A.A., médicos e religiosos, poderão ser encontradas neste volume.
Alcoólicos Anônimos não é uma organização religiosa. Nem apóia qualquer ponto de vista médico em especial, embora cooperemos amplamente com os médicos, assim como com os religiosos.
Não fazendo o álcool qualquer distinção de cor ou classe, somos uma perfeita amostra do povo americano e, em terras distantes, o mesmo processo democrático imparcial se está desenvolvendo. Em matéria de afiliações religiosas pessoais, incluímos católicos, protestantes, judeus, hindus e também muçulmanos e budistas. Mais de 15% de nossos membros são mulheres.
Atualmente, o número de membros de A.A. cresce na proporção de cerca de vinte por cento ao ano. Por enquanto, diante do problema total de vários milhões de alcoólicos de fato ou em potencial, em todo o mundo, conseguimos ainda muito pouco. É bastante provável que jamais sejamos capazes de atingir mais do que uma razoável fração do problema do alcoolismo em todas as suas ramificações. No que se refere à terapia para o alcoólico, certamente não temos o monopólio. Nossa maior esperança, porém, é que todos aqueles que, até agora, não tenham encontrado respostas, possam começar a encontrar alguma nas páginas deste livro e venham, em breve, juntar-se a nós na estrada de acesso a uma nova liberdade.

Prefácio na Terceira Edição em 1976
third_editionEm março de 1976, quando esta edição foi a prelo, o número total de membros de Alcoólicos Anônimos era conservadoramente avaliado em mais de um milhão, com cerca de 28.000 grupos reunindo-se em mais de 90 países.
Levantamentos de grupos nos Estados Unidos e no Canadá indicam que A.A. vem atingindo não apenas um número cada vez maior de pessoas, mas um raio de ação cada vez mais amplo. Entre nossos membros, as mulheres perfazem mais de um quarto; entre os recém-chegados, esta proporção chega a quase um terço. Sete por cento dos membros dos grupos estudados têm menos de 30 anos de idade – entre esses, vários adolescentes.
Os princípios básicos do programa de A.A., ao que parece, são válidos para pessoas com os mais variados estilos de vida, assim como o programa tem recuperado indivíduos das mais diversas nacionalidades. Os Doze Passos que resumem o programa podem ser chamados Los Doce Pasos num país, Les Douze Etapes em outro, mas traçam exatamente o mesmo caminho para a recuperação que foi desbravado pelos primeiros membros de Alcoólicos Anônimos.
Apesar da grande expansão em tamanho e em raio de alcance desta Irmandade, ela permanece, em sua essência, simples e pessoal. Todos os dias, em algum lugar do mundo, uma recuperação tem início quando um alcoólico fala com outro alcoólico, compartilhando experiências, forças e esperanças.

Prefácio na Quarta Edição em 2001
fourth_editionEsta quarta edição de "Alcoólicos Anônimos" veio a público em novembro de 2001, no começo de um novo milênio. Desde a terceira edição, que foi publicada em 1976, o número de membros de A.A. dobrou, atingindo mais de dois milhões de pessoas, com cerca de 100.800 grupos reunindo-se em aproximadamente 150 países.
A literatura tem desempenhado um importante papel no crescimento de A.A. Um fenômeno notável no último quarto de século foi a explosão de traduções de nossa literatura básica para inúmeros idiomas e dialetos. Em cada um dos países em que a semente de A.A. foi plantada, ela primeiro fincou raízes lentamente, passando a crescer a passos largos a partir do momento em que se divulgou a literatura.
tualmente o livro "Alcoólicos Anônimos" está traduzido em quarenta e três idiomas.
À medida que a mensagem de recuperação alcançava um número cada vez maior de pessoas, ela também passou a afetar as vidas de uma crescente variedade de alcoólicos. Quando a frase "Somos pessoas que, normalmente, não se encontrariam juntas" (página 47 deste livro) foi escrita em 1939, ela se referia a uma Irmandade composta em sua maioria por homens (e umas poucas mulheres) provenientes de um ambiente social, étnico e econômico bastante parecido. Como muitas outras partes do texto básico de A.A., estas palavras revelaram-se muito mais proféticas do que nossos membros fundadores sequer poderiam imaginar. As histórias acrescentadas a esta edição2 representam a participação em nossa Irmandade de pessoas cujas características – de idade, gênero, raça e cultura – se ampliaram e se aprofundaram para incluir virtualmente qualquer indivíduo que os nossos primeiros cem membros poderiam esperar atingir.
Enquanto nossa literatura preserva a integridade da mensagem de A.A., amplas mudanças na sociedade como um todo se refletem em novos hábitos e procedimentos dentro da Irmandade. Por exemplo, aproveitando-se dos avanços tecnológicos, os membros de A.A. que dispõem de computador podem participar de reuniões por Internet, compartilhando com companheiros alcoólicos de todo o país e do mundo inteiro. Em qualquer reunião, em qualquer lugar, os AAs compartilham entre si experiências, forças e esperanças com o propósito de manterem-se sóbrios e ajudarem outros alcoólicos. Modem a modem ou cara a cara, os AAs falam a linguagem do coração em todo o seu poder e simplicidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O LIVRO VIVER SÓBRIO

A RESPEITO DO TÍTULO


vsobrio.gifMesmo as palavras “ficar sóbrio” – quanto mais viver sóbrio – ofendiam muitos de nós quando as ouvíamos pela primeira vez. Embora tivéssemos bebido um bocado, jamais nos sentíamos bêbados e estávamos convencidos de que nem mesmo parecíamos embriagados.
Muitos de nós nunca cambaleávamos, caíamos ou enrolávamos a língua; muitos outros nunca cometeram desordens, nunca perderam um dia de trabalho ou, positivamente, jamais foram internados em hospitais nem presos por embriaguez.
Conhecíamos muitas pessoas que bebiam muito mais do que nós e outras totalmente incapazes de controlar a bebida. Nós não éramos assim. Por isso, a sugestão de que talvez devêssemos “ficar sóbrios” era quase insultante.
Além disso, parecia desnecessariamente drástica. Como poderíamos viver assim? Certamente nada de mal poderia haver nuns dois aperitivos no almoço de negócios, ou antes, do jantar. A gente não tem o direito de tranqüilizar-se com uns tragos ou algumas cervejas antes de dormir.
Contudo, depois que aprendemos algumas realidades sobre a doença chamada alcoolismo, mudamos de opinião. Nossos olhos abriram-se para o fato de que, ao que parece, milhões de pessoas são portadoras da doença do alcoolismo. A ciência médica não explica sua “causa”, mas os médicos especialistas em alcoolismo garantem que um só gole traz contratempo ao alcoólico ou bebedor problema. E nossa experiência confirma isso com exuberância.
Desta maneira, não beber nada – isto é, ficar sóbrio – torna-se a base da recuperação do alcoolismo. E repetimos para frisar bem: viver sóbrio não é absolutamente desagradável, aborrecido e desconfortável como prevíamos; é, sobretudo, algo que começamos a desfrutar e a considerar mais excitante do que nossos dias de bebedeira. Vamos mostrar-lhe como.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Símbolo “oficial” de A.A.

A exclusão do Círculo e do Triângulo como símbolo "oficial" de A.A.
Transcrito com permissão do texto em espanhol no boletim oficial do GSO, Box 4-5-9, Ago. Set. / 1993 =>
Título original: "Desprendiéndonos del círculo y el triángulo como un símbolo ‘oficial' de AA"
simbolos
Durante muito tempo, um triângulo inscrito em um círculo foi reconhecido como o símbolo de Alcoólicos Anônimos. Entretanto, o círculo e o triângulo também constam entre os mais antigos símbolos espirituais conhecidos pela humanidade. Para os antigos egípcios o triângulo representava a inteligência criativa; para os gregos, significava a sabedoria. Geralmente, representa a aspiração de alcançar um entendimento mais elevado e uma maior compreensão do espiritual.
Na Convenção Internacional em 1955, durante a celebração do 20º aniversário de A.A., foi aceito o triângulo inscrito num círculo como o símbolo de Alcoólicos Anônimos. "O circulo", disse Bill W. aos AAs reunidos em St. Louis, "simboliza o mundo inteiro de A.A., e o triângulo representa os Três Legados de A.A., - Recuperação, Unidade e Serviço. Dentro do nosso maravilhoso mundo novo, encontramos a libertação de nossa obsessão mortal".
O símbolo foi registrado como marca oficial de A.A. em 1955, e foi livremente usado por várias entidades de A.A., o qual funcionou bem durante um bom tempo. Entretanto, por volta da metade dos anos 1980 começou a haver certa preocupação por parte dos membros da Irmandade a respeito da utilização do círculo e do triângulo por organizações alheias a A.A. Em conformidade com a Sexta Tradição que diz que A.A. "... nunca deverá sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade ...", A.A. World Services - Serviços Mundiais de A.A., começou, em 1986, a tomar algumas providencias para prevenir a utilização do círculo e do triângulo por entidades alheias, incluindo fabricantes de brindes, casas editoras e instituições de tratamento. Esta política de desestímulo foi realizada com moderação e, tão somente depois que todas as tentativas de persuasão e conciliação tinham fracassado, foi considerado empreender ações legais. De fato, dos aproximadamente 170 usuários não autorizados que foram contatados, apenas foram apresentadas demandas contra dois deles e o assunto foi resolvido logo no início.
No começo dos anos de 1990, alguns membros da Irmandade pareciam dizer duas coisas: "queremos medalhas com nosso círculo e triângulo", e, "não queremos nosso símbolo associado com objetivos não A.A.". O desejo de alguns membros de A.A. de ter fichas de aniversário foi considerado pelas juntas de A.A. World Services e da Revista Grapevine (equivalente à Vivência) em outubro de 1990, quando foi estudada a possibilidade de produzir medalhas. Foi do parecer dessas juntas que as fichas e as medalhas não tinham relação com o nosso propósito primordial de levar a mensagem de A.A. e que este assunto deveria ser tratado pela Conferência para obter a opinião da consciência de Grupo da Irmandade. A essência desta decisão foi transmitida à Conferência de Serviços Gerais de 1991 no relatório da Junta de A.A.W.S.
A Conferência de Serviços Gerais de 1992 começou enfrentando o dilema ouvindo apresentações a respeito de porque devemos ou não produzir medalhas e, sobre a responsabilidade de A.A.W.S. de proteger nossas marcas registrada e direitos de propriedade contra usos que pudessem sugerir afiliação com fontes alheias.
O resultado foi uma Ação Recomendável da Conferência para que a Junta de Serviços Gerais desse inicio a um estudo a respeito da viabilidade de possíveis métodos através dos quais se poderiam colocar as fichas de sobriedade a disposição da Irmandade, seguido de um relatório a um Comitê ad hoc (para esse fim) constituído por Delegados à Conferência de 1993, o qual informaria todos os membros da Conferência no seguinte mês de março (nos EUA/Canadá, as Conferências são realizadas no mês de abril).
Após longas considerações, o Comitê ad hoc apresentou seu relatório e recomendações à Conferência de 1993. Depois de uma discussão, a Conferência aprovou duas das cinco recomendações apresentadas:
1) O uso de fichas e medalhas de sobriedade é um assunto de autonomia local e não algo sobre o que a Conferência deva consignar uma posição definitiva;
2) Não é apropriado que A.A.W.S ou a Grapevine produzam ou autorizem a produção de fichas e medalhas de sobriedade.
Entre as considerações incluídas no informe do Comitê ad hoc, encontravam-se as repercussões de continuar protegendo por meios legais o uso das marcas registradas de A.A. por parte de organizações alheias.
Coincidentemente, a Junta de A.A.W.S. tinha começado a considerar alguns acontecimentos recentes, chegando finalmente à conclusão de que as perspectivas de litígios cada vez mais longos e custosos, a incerteza de conseguir sucesso e o desvio do propósito primordial de A.A. eram grandes demais para justificar a continuação das tentativas de proteger o círculo e o triângulo. Durante a reunião pós-conferencial da Junta de Serviços Gerais, os Custódios aceitaram a recomendação de A.A.W.S. de não continuar a proteção do símbolo do círculo e do triângulo como uma das nossas marcas registradas.
No começo de junho (1993), a Junta de Serviços Gerais apoiou por unanimidade substancial a declaração de A.A.W.S. de que, de acordo com nosso propósito original de evitar a sugestão de afiliação ou associação com produtos e serviços alheios, Alcoólicos Anônimos World Service, Inc. deixará progressivamente de fazer uso "oficial" ou "legal" do símbolo com o círculo e o triângulo. A.A.W.S. continuará resistindo ao uso não autorizado de outras marcas e qualquer tentativa de publicar literatura de A.A. sem permissão.
É claro, o circulo e o triângulo sempre irão ter um significado especial no coração e na mente dos membros de A.A., no sentido simbólico, como o tem a Oração de Serenidade e os lemas, que nunca tiveram um caráter oficial.